Descubra como a Lei Europeia de Acessibilidade impacta bancos e entidades financeiras. Com o prazo de candidatura fixado para 28 de junho de 2025, os bancos e instituições financeiras da União Europeia estão numa corrida contra o tempo para adaptar os seus produtos e serviços. Este guia completo explicará tudo o que você precisa saber sobre a Lei de Acessibilidade dos Bancos Europeus e seu impacto no setor.
O que é a Lei Europeia de Acessibilidade (Diretiva (UE) 2019/882)?
A Lei Europeia de Acessibilidade (EAA) é uma diretiva da União Europeia que tem como principal objetivo melhorar o funcionamento do mercado interno de produtos e serviços acessíveis, eliminando e prevenindo barreiras à livre circulação destes elementos que possam surgir devido a legislações nacionais divergentes sobre acessibilidade. Em essência, procura estabelecer requisitos comuns de acessibilidade para uma série de produtos e serviços essenciais, beneficiando diretamente as pessoas com deficiência e as pessoas com limitações funcionais, como os idosos.
Para o setor financeiro, isto significa que muitos dos serviços bancários abrangidos pela Lei da Acessibilidade terão de ser concebidos e oferecidos para que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, independentemente das suas capacidades.
Principais Objetivos da CEA no Setor Bancário
A implementação das CEA no setor bancário prossegue vários objetivos fundamentais:
- Promover a inclusão financeira: garantir que as pessoas com deficiência e limitações funcionais possam gerir as suas finanças de forma autónoma e segura.
- Eliminar barreiras: remova os obstáculos existentes em produtos e serviços bancários digitais (sites, aplicativos) e físicos (ATM).
- Harmonizar regulamentações: criar um conjunto único de regras de acessibilidade a nível da UE, facilitando às empresas a oferta de produtos e serviços transfronteiriços e reduzindo a fragmentação do mercado.
- Impulsionar a inovação: incentivar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e de design universal que beneficiem todos os clientes.
Quem é afetado pela Lei Europeia de Acessibilidade no Setor Financeiro?
A diretiva é ampla e afeta vários atores do ecossistema financeiro. Principalmente, as obrigações dos bancos de acordo com a nova lei europeia de acessibilidade recaem sobre:
- Bancos: varejistas e comerciais que oferecem serviços aos consumidores.
- Entidades financeiras e de crédito: aquelas que prestam serviços abrangidos pela directiva.
- Provedores de serviços de pagamento: incluindo as prósperas empresas fintech que oferecem alternativas aos serviços bancários tradicionais.
- Fabricantes e Importadores: De produtos relevantes para o setor, como caixas eletrônicos ou terminais de pagamento.
É importante ressaltar que existem algumas isenções, por exemplo, para microempresas que prestam serviços, sob determinadas condições.
Serviços e produtos bancários abrangidos pela EAA
O EAA especifica uma série de produtos e serviços que devem cumprir os novos requisitos. Entre os mais relevantes para o setor financeiro estão:
- Serviços bancários ao consumidor: inclui contas correntes, contas poupança, empréstimos ao consumidor, hipotecas.
- Sites: páginas de informações e plataformas bancárias on-line.
- Serviços baseados em dispositivos móveis (Apps Bancários): Aplicativos para smartphones e tablets.
- Terminais de autoatendimento:
- Caixas eletrônicos (ATMs)
- Terminais de pagamento (POS)
- Outros terminais de autoatendimento interativos que fornecem informações.
- Contratos com consumidores: As informações pré-contratuais e contratuais devem estar acessíveis.
- Serviços de assinatura eletrônica e serviços que permitem identificação eletrônica.
Isso envolve uma revisão completa de como esses serviços são projetados, desenvolvidos e fornecidos para garantir que não apresentem barreiras.
Requisitos de acessibilidade: EN 301 549 e WCAG
Para garantir um nível comum de acessibilidade, a CEA depende fortemente de normas técnicas harmonizadas. A norma principal é a EN 301 549, que estabelece requisitos de acessibilidade funcional para produtos e serviços de TIC. Por sua vez, a norma EN 301 549 refere-se e é muito compatível com as Diretrizes de acessibilidade de conteúdo da Web (WCAG), especificamente nível AA, para conteúdo da web e aplicativos celulares.
É essencial cumprir estes princípios e os requisitos europeus de acessibilidade bancária derivados da EN 301 549 e das WCAG.
Prazo: 28 de junho de 2025
O cronograma para a implementação da CEA é claro e a data mais importante está chegando:
- Transposição Nacional: os Estados-Membros tiveram que transpor a diretiva para a sua legislação nacional antes de 28 de junho de 2022.
- Aplicação de Medidas: As empresas, incluindo bancos e entidades financeiras, devem cumprir os requisitos de acessibilidade a partir de 28 de junho de 2025.
Existem algumas disposições transitórias, por exemplo para terminais de autoatendimento já em utilização, que podem continuar a ser utilizados até ao final da sua vida útil económica, mas não mais de 20 anos após terem entrado em serviço. No entanto, qualquer novo produto ou serviço colocado no mercado após 28 de junho de 2025 deverá estar em total conformidade. Os prazos de conformidade bancária EAA são, portanto, um fator crítico.
Obrigações Específicas para Bancos e Entidades Financeiras
Além de garantir que seus produtos e serviços sejam acessíveis, os bancos têm outras obrigações:
- Avaliação de conformidade: devem avaliar se seus produtos e serviços atendem aos requisitos de acessibilidade.
- Documentação técnica: mantenha documentação técnica que demonstre conformidade.
- Declaração de conformidade da UE: prepare e assine uma declaração de conformidade da UE para os produtos.
- Informações aos usuários: Fornecer informações sobre as características de acessibilidade de produtos e serviços.
- Tratamento de reclamações: estabeleça procedimentos para lidar com reclamações relacionadas à não conformidade.
- Cooperação com autoridades: colaborar com autoridades de fiscalização do mercado.
Consequências da não conformidade
Ignorar os mandatos da EAA não é uma opção. O não cumprimento pode resultar em:
- Sanções Económicas: Os Estados-Membros devem estabelecer sanções eficazes, proporcionais e dissuasivas. Eles podem ser significativos.
- Dano Reputacional: A falta de acessibilidade pode gerar uma imagem negativa da entidade, alienando clientes atuais e potenciais.
- Perda de oportunidades de mercado: a exclusão de parte da população limita o crescimento.
- Possíveis litígios: aumenta o risco de processos judiciais por discriminação.
Passos para Adaptação à EAA
Para que bancos e instituições financeiras cheguem preparados até 28 de junho de 2025, é fundamental seguir um roteiro:
- Auditoria de acessibilidade: avalie o estado atual de todos os produtos e serviços cobertos (sites, aplicativos, caixas eletrônicos, documentação, processos).
- Planejamento Estratégico: Desenvolva um plano de ação detalhado, priorizando áreas críticas, atribuindo recursos e definindo os responsáveis.
- Treinamento e Conscientização: Treine todas as equipes envolvidas (design, desenvolvimento, atendimento ao cliente, jurídico, marketing) nos princípios e requisitos de acessibilidade.
- Design e Desenvolvimento Inclusivos: Integrar a acessibilidade desde o início em todos os novos projetos (design universal).
- Adaptação de sistemas existentes: Faça as modificações necessárias nas plataformas e produtos atuais.
- Testes abrangentes: realize testes com usuários reais, incluindo pessoas com diversas deficiências, e use ferramentas técnicas de validação.
- Documentação e conformidade formal: preparar documentação técnica e declarações de conformidade.
- Estabeleça um processo de melhoria contínua: A acessibilidade não é um projeto único, mas sim um compromisso contínuo.
Conclusão:
As CEA representam uma mudança significativa para o setor bancário. Cumprir os seus requisitos não é apenas uma obrigação legal inevitável com um prazo claro (28 de junho de 2025), mas também uma oportunidade para os bancos demonstrarem o seu compromisso com a inclusão, melhorarem a experiência de todos os seus clientes e acederem a um mercado mais amplo. A adaptação requer um planeamento cuidadoso e investimento proativo, mas os benefícios a longo prazo, tanto sociais como económicos, são indiscutíveis.
